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7/25/2007 2:15:10 AM
PASSEIO
PÚBLICO VOLTA A CIDADE
Não foi com um estalar de dedos. O fato
é que o Passeio Público, de lugar inseguro e associado
a um mercado de sexo, voltou a ser local confiável para
boa parte da população. As obras se estenderam
por dois meses e tiveram um custo acima de R$ 800 mil, boa parte
sendo recursos próprios da Prefeitura e mais ajudas pontuais,
como a prestada pela Casa Cor para os serviços de jardinamento.
Atualmente, o perfil do freqüentador é distinto,
mas há moradores e turistas que descobriram belezas e
encantos, além de se contar com policiamento, num espaço
que se configura como cartão postal de Fortaleza.
Foi longa a trajetória
de degradação e vandalismo da Praça dos
Mártires, mais conhecida como Passeio Público.
Ao todo, passaram-se mais de dois anos do último restauro.
Pior, é que maior do que o hiato de intervenções
foi o de manutenção. A deterioração
física do Passeio foi decorrente da falta de uma política
de zelo, conforme nota o professor Sebastião Ponte, do
curso de História, da Universidade Federal do Ceará
(UFC), autor do livro “Fortaleza Belle Époque” .
“Louvo
a iniciativa da Prefeitura, mas defendo políticas duradouras
de conservação, a fim de que não tenha
o mesmo destino da Praça dos Leões, que sistematicamente
passa por interverções, mas encontra-se quase
degradada”, disse.
A
última intervenção mudou o perfil dos freqüentadores
do Passeio Público, cartão postal de Fortaleza,
com a presença em seus recantos de crianças, namorados,
famílias, artistas e demais visitantes.
O
espaço foi entregue recuperado à população
no último dia 6 de outubro, em solenidade aberta ao público
com a presença da prefeita de Fortaleza Luizianne Lins
e uma programação especial composta de apresentações
musicais e exposição fotográfica.
Contudo,
para a comunidade acadêmica, órgãos gestores
e o público paira a dúvida se essa nova realidade
será duradoura, terá sustentabilidade ou voltará
perder a atração do fortalezense.
Essa
é uma certeza que norteia o pesquisador Cristiano Câmara.
Ele teme que o logradouro volte a experimentar o mesmo descaso,
a exemplo do que aconteceu com a Ponte Metálica, localizada
na Praia de Iracema. Naquela época, a administração
municipal gastou R$ 1 milhão, conforme lembra Câmara
com a restauração da ponte para se revelar, hoje,
como lugar evitado pela população e com a dimensão
ampliada de reduto marginal.
“Meu
medo é que passada a euforia, essa mudança seja
efêmera. Começa por falta de lógica em se
embelezar uma praça, quando não houve o mesmo
zelo com as demais, que foram tomadas por grupos marginais”,
observa.
Ficaram
no passado ainda recente, as imagens de luminárias quebradas,
banco degradados, jardins descuidados e a sujeira tomando conta
das calçadas internas. Não há mais fluxo
de prostituição e há uma vigilância
por todo o dia e parte da noite de efetivos da Guarda Municipal,
além de policiais militares.
Um
quiosque contemporâneo, mas sem perder os traços
tradicionais, abriga hoje um café. Mesas foram instaladas
no seu entorno para lanches ligeiros, um bate-papo e ainda para
servir para jogos, como os tabuleiros de xadrez.
Se os novos tempos renovam
o charme do Passeio Público, quando teve sua “Belle Époque”
são imprecisos. Mais incerto ainda é se o atual
perfil terá vida longa.
Fonte: Diário
do Nordeste
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